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Zen é uma escola do budismo que tem por objetivo chegar à iluminação, ou satori, entendida como resultado inexorável de uma prática bem conduzida. Tem por base o autoconhecimento e a autoconfiança, e ensina que a natureza de Buda, ou seja, a potencialidade para atingir a iluminação, é inerente a todas as pessoas, mas a ignorância faz com que fique adormecida. O despertar dessa consciência não acontece pela prática de rituais ou de boas ações, mas por rompimento dos limites do pensamento lógico. Segundo o escritor Alan W. Watts, tentar definir o Zen é como tentar prender o vento numa caixa. O Zen não explica nada e por isso mesmo desafia qualquer explicação lógica. Embora visto por muitos como uma escola mística, é, na verdade, um budismo acentuadamente prático e, às vezes, até humorístico. Não recomenda nem o abandono das coisas terrenas nem a dedicação a elas. Não é nem contemplativo nem ativista, porque é as duas coisas ao mesmo tempo. Foi organizado com a finalidade de pôr a salvação ao alcance de todos, para que cada um realize sua natureza de Buda e conquiste a iluminação. Os métodos para a prática Zen exigem rigoroso treinamento e variam de acordo com a seita que os pratica. Entre esses métodos destaca-se o dos koan, adotado pela escola Rinzai, que consiste em dar ao discípulo uma frase paradoxal para que medite sobre ela. Existem mais de 1.700 koan, do tipo "se tens um bastão, te darei um; se não tens, tirarei o que possuis". Os koan devem ser repetidos individual e constantemente. Outro método é o zazen, que consiste em meditação sentada e é base da escola Soto. De pernas cruzadas, coluna ereta, sem pensar em nada de especial, mas também sem reprimir os pensamentos que surgem na mente, o discípulo se exercita. Há ainda o método nembutsu, invocação contínua do Buda Amida. A origem do Zen remonta ao sermão da flor, em que Buda, cercado de discípulos, revirou uma flor nas mãos e sorriu em silêncio. A transformação do budismo indiano na doutrina hoje conhecida pelo nome japonês Zen, e em chinês Shan, deve-se ao filósofo chinês Zhuangzi (Chuang Ze), que viveu no século III a.C e foi também divulgador do taoísmo. O Zen floresceu na China no século VI e, embora tenha sido introduzido em seguida no Japão, só se propagou no século XIII com a pregação do monge chinês Eisai, que divulgou a seita Rinzai. A seita Soto foi divulgada no Japão pelo monge chinês Dogen. O Zen exerceu grande influência no espírito e na cultura japoneses. A cerimônia do chá, a arte do arco, do manejo da espada, a jardinagem e a pintura empregam os princípios básicos do Zen. Nos séculos XIV e XV foi adotado como religião oficial, mas a partir do século XVII começou a ser perseguido e abandonado. Atualmente, desperta grande interesse na Europa e na América, e tem como um dos principais centros de divulgação o Zen Mountain Center, ao sul da cidade californiana de San Francisco, nos Estados Unidos. |
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