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Traduções antigas. A mais antiga tradução
do Velho Testamento é a Septuaginta, ou Versão dos Setenta,
nome que tem sua origem na lenda segundo a qual 72 judeus, seis de cada
tribo de Israel, teriam feito essa tradução do Antigo Testamento
para o grego em 72 dias. Realizada em Alexandria, entre 250 e 150 a.C.,
aproximadamente, destinava-se aos judeus da diáspora -- os que,
voluntária ou coercitivamente, se encontravam fora de Israel. Do
Egito espalhou-se por outras regiões, até tornar-se a Bíblia
oficial do judaísmo helenista. As traduções seguintes
já compreendem a Bíblia inteira, e foram feitas pelos iniciadores
do cristianismo nas regiões orientais do Império Romano.
A principal tradução siríaca é a Pechitta
(a comum). A tradução do Antigo Testamento é muito
antiga; foi começada desde o século II. O texto oficial da
igreja síria para o Novo Testamento, na sua forma atual, remonta
provavelmente a Rábulo, bispo de Edessa (411-435). A tradução
armênia data do século V, pelo bispo Mesrop, e inaugura a
língua literária nesse idioma.
Traduções latinas. Dentre as muitas traduções da Bíblia, as de maior importância para a expansão do cristianismo nascente foram as feitas para o latim. A mais antiga foi a Itala, realizada entre o ano 200 e o 250, na Itália, quando começava a se extinguir o conhecimento da língua grega nas regiões ocidentais do Império Romano. Foi substituída pela Vulgata, realizada por são Jerônimo, por ordem do papa Dâmaso, no século IV. Para o Novo Testamento, o tradutor respeitou o texto latino antigo, que já se tornara familiar, mas corrigiu-o de acordo com bons manuscritos gregos. Entre 386 e 389, são Jerônimo corrigiu a tradução latina do Antigo Testamento na base da héxapla de Orígenes. Entre 390 e 406, porém, elaborou uma nova tradução latina do Antigo Testamento, diretamente do hebraico e do aramaico. No século VIII a versão definitiva de são Jerônimo acabou por suplantar as demais traduções latinas, mas foi somente por volta do século XVI que recebeu o nome de Vulgata, devido a sua larga divulgação. O termo era antes aplicado à versão dos Setenta ou à Itala. Quatro séculos depois, ao encerrar-se o Concílio Vaticano II, o papa Paulo VI designou uma comissão de peritos com a incumbência de realizar uma revisão da Vulgata, a fim de incorporar os resultados dos trabalhos exegéticos que se haviam acumulado nos últimos séculos e assim obter-se uma versão latina atualizada em relação à ciência bíblica atual. Traduções portuguesas. Das traduções
para o português, a mais antiga foi feita, no século XVII,
por João Ferreira de Almeida, missionário católico
na Índia, posteriormente convertido ao protestantismo. Baseada no
texto grego, quase sempre discordou da Vulgata, embora fosse de orientação
católica. De melhor qualidade é a segunda tradução
para o português do Antigo e do Novo Testamento, realizada no século
XVIII, por Antônio Pereira de Figueiredo. Baseada na Vulgata, teve
maior acolhida dos protestantes que dos católicos.
Traduções alemãs. Para o alemão, o Novo Testamento foi traduzido por Martinho Lutero, em 1522. Zwingli mandou acrescentar-lhe, em 1530, uma tradução do Antigo Testamento feita por seus companheiros Pellican, Bibliander e outros (Bíblia de Zurique), mas esta foi logo suplantada pela tradução do Antigo Testamento por Lutero, em 1534. A Bíblia de Lutero tornou-se de uso comum por todos os protestantes de língua alemã. É o primeiro e talvez o maior documento da literatura alemã moderna, cuja língua foi determinada por essa obra. Traduções inglesas. A primeira tradução
para o inglês, de John Wycliffe, caiu em esquecimento, com o fracasso
de seu movimento reformador. A reforma da igreja da Inglaterra por Henrique
VIII foi precedida e acompanhada pelas traduções de William
Tyndale (Novo Testamento em 1525, Pentateuco em 1531), em estilo solene
e arcaico. Em 1535, Miles Coverdale traduziu a Bíblia inteira, tradução
oficialmente aceita depois da revisão pelo arcebispo Cranmer, em
1540. Adeptos de uma reforma mais radical, William Whittingham e outros
criaram em 1560 a Bíblia de Genebra, texto lido pelos puritanos,
pelos Pilgrim Fathers na América e por Cromwell.
Traduções italianas. O primeiro tradutor protestante da Bíblia na Itália foi Pagninus (1528), seguido por Antonio Brucioli (1530-1532). Os católicos responderam com o Velho Testamento traduzido por Santi Marmochini, e o Novo Testamento traduzido por Zaccheria (1538). A mais importante tradução protestante da Bíblia para o italiano é a de Giovanni Diodati (1607). Uma tradução católica é a de Antonio Martini, do século XVIII.
Outras traduções. Tanto nas línguas mencionadas como nas demais línguas da Europa apareceram numerosas traduções, parciais ou completas, desde a Idade Média até os tempos modernos, sempre na linguagem de cada época, e tanto do lado protestante como do lado católico e -- para o Antigo Testamento -- judaico. Muitas traduções da Bíblia foram feitas, integral ou parcialmente, com fins missionários, para línguas faladas fora do mundo cristão. Colonizadores ingleses na América do Norte fizeram uma versão para a língua dos índios algonquinos, no século XVII. No século XIX, apareceram traduções para o chinês, o birmanês e o sânscrito, esta última destinada às classes letradas da Índia. No século XX a Bíblia foi traduzida para o árabe (1965) e sobretudo para línguas africanas. |
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