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A resposta que, de início, pareceu mais simples aos pensadores gregos afirmava que o sensível permanece contínuo e integrado por ser a expressão material e diversificada de uma única substância fundamental. Mais tarde, Parmênides e Heráclito afirmaram que a unidade do mundo não reside no próprio mundo, mas numa instância suprema que, sem ser material e sensível, consiste em ordem e unidade. O Ser, segundo Parmênides, e o logos, segundo Heráclito, não são substâncias, mas entidades de natureza puramente intelectual que só podem ser apreendidas pelo pensamento, mas não apreendidas pelos sentidos. Assim, o que se vê é explicado pelo que não se vê, o material é elucidado pela idéia e os processos temporais adquirem transparência pela mediação da mente. Em Platão e Aristóteles essa tendência teve as mais perfeitas formulações de que era capaz a mentalidade grega. Essa maneira de entender Deus torna-se, assim, transparente: Deus é o símbolo para a idéia mais alta, o fundamento de tudo o que existe e o princípio lógico que permite entender o que existe. A visão de Deus confunde-se assim com a mais alta forma de intuição intelectual. É ele o primeiro princípio sobre o qual a existência e a explicação do mundo se assentam. A questão da existência de Deus se torna então absolutamente fundamental, porque dela dependem não só a existência do cosmos (ordem) como também a possibilidade de seu conhecimento. Essa exigência científica constitui base para a formulação dos tradicionais argumentos da existência de Deus e de toda a teologia natural. São eles o argumento cosmológico, o teleológico e o ontológico. |
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