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Judaísmo Judaísmo na história
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Período rabínico 
          Talmude. O longo período rabínico, que os historiadores situam entre os séculos II e XVIII, caracterizou-se pela elaboração, pelos rabinos (mestres de judaísmo), do Talmude. 
          Na primeira época, chamada dos professores (tanaim), surgiram figuras como Judá ha-Nasi, da Palestina, que no início do século III fixou por escrito a lei oral: coleção de regras, comentários, interpretações e paradigmas baseados na Torá, preparada pelos rabinos Akiva, Meir e outros. Essa compilação escrita constitui a Mischná, cuja autoridade, diziam os sábios, como a da própria Torá, remonta ao Sinai. Na época seguinte, a dos intérpretes, ou dos amoraim, foram feitos comentários à Mischná, chamados Guemará. Juntas, a Mischná e o Guemará formam o Talmude. 
          Houve duas versões do Talmude, de acordo com a procedência do Guemará: o Talmud Ierushalmi (de Jerusalém) e o Talmud Bavli (babilônio). Esta última versão, que teve seu auge nos séculos V e VI, exerceu grande influência durante a Idade Média e é a adotada pelo judaísmo atual. O Talmude constitui fundamentalmente um esforço dos rabinos para adaptar os preceitos da lei à vida cotidiana de comunidades extremamente dispersas. Seus ensinamentos e conteúdo dividem-se em duas partes: Halaká, essencialmente normativa, e Hagadá, que inclui narrativas, parábolas etc., destinadas a inspirar e a fortalecer o povo. 
          Sefarditas e asquenazitas. Sobre uma base religiosa comum, a cultura judaica viu desenvolverem-se na Europa, durante a Idade Média, dois grandes ramos: sefarditas e asquenazitas. 
          Os sefarditas, ou sefaraditas (sefaradim) seguiram a tendência babilônica e receberam a influência dos muçulmanos, com quem conviveram na Espanha. Do século XI ao XIII, quando se restabeleceu o cristianismo, os judeus da península ibérica gozaram de boas posições e prestígio, contribuindo como conselheiros, poetas, cientistas e filósofos para o florescimento econômico e cultural da chamada idade de ouro. Após as conversões forçadas (os judeus convertidos eram chamados cristãos-novos, ou marranos, que significa "porcos"), durante a Inquisição, os judeus acabaram expulsos da Espanha, em 1492, e de Portugal, em 1497. 
          Os asquenazitas (ashkenazim), radicados na França e na Alemanha, adotaram o Talmud Ierushalmi e mantiveram estreito contato com a cultura cristã. Dos asquenazitas surgiram duas correntes místicas: a cabala (provavelmente de origem hispânica), desenvolvida nos séculos XII e XIII e relacionada com o esoterismo ocidental; e o hassidismo, no século XVI, que buscava uma forma de crença mais espontânea, mais liberta dos rigores do estudo e dos rituais, servindo assim aos judeus mais desfavorecidos das pequenas cidades e aldeias da Europa central e oriental. O hassidismo prolongou-se até a época contemporânea, preconizando a fé piedosa, o fervor (hitlaavut), a priorização da "intenção" (kavaná) sobre o rito e a importância do "aqui e agora" na experiência religiosa. 
          De um modo geral, a Idade Média foi para os judeus um período de perseguições e massacres. Acusados de envenenarem poços, causando a peste negra, de fabricarem o pão ázimo da Páscoa com o sangue de jovens cristãos, estereotipados como malditos, demônios e judeus errantes, foram obrigados ao batismo, ou então perseguidos e mortos pelos cruzados, queimados no interior de sinagogas -- como em York, na Inglaterra, em 1190 -- e expulsos de seus lares e de seus países. Imbuídos de uma fé radicada em sua identificação com o destino comum e com a prática judaica baseada na aliança, muitos judeus resistiram à pressão crescente de assimilação, muitas vezes preferindo morrer a abjurar sua fé. Morriam Al kidush haShem, pela santidade do nome de Deus, proferindo a antiga oração de uma frase só que é até hoje a síntese da fé judaica: Shemá Israel, Adonai Eloheinu Adonai echad (Ouve, ó Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é Um). 
          A esperança de redenção levou a muitos caminhos, como o hassidismo, o misticismo da cabala e, no século XVII, ao messianismo, a crença na vinda imediata do Messias, então personificado num judeu de Esmirna, Shabetai Tsevi. Multidões histéricas acreditaram que a redenção era iminente, e desfizeram-se de seus bens para seguir o "messias" em sua jornada à Terra Santa. Mesmo a desmistificação do falso Messias, que se converteu ao Islã, não abalou seus seguidores, que acreditavam ser este o caminho de sofrimento pelo qual ele traria a redenção. 
          O fim da Idade Média, o advento de idéias libertárias, do racionalismo, dos direitos do homem, trouxe esperanças de emancipação que acabaram traídas pelo surgimento de um anti-semitismo doutrinário e ideológico.
 
 
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