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Protestantismo
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Origem e evolução
          A propagação do protestantismo pela Europa e América, assim como a multiplicidade de interpretações doutrinárias surgidas ao longo de sua evolução histórica, deram origem, já no século XVI, à progressiva divisão das primeiras igrejas protestantes.
          Na França, o calvinismo propagou-se rapidamente, não sem certa violência, entre as camadas populares e alguns setores da alta nobreza, apesar das cruentas perseguições de que foram objeto, como a da noite de são Bartolomeu, em 1572, e das guerras de religião que assolaram o país. A partir de 1598, data da promulgação do Edito de Nantes, que reconheceu sua existência legal, os calvinistas ou huguenotes, como também eram chamados, desfrutaram de um período de paz que durou até 1685.
          De 1618 a 1648 ocorreu no império germânico a guerra dos trinta anos, concluída mediante a Paz de Vestfália, que encerrou o período caracterizado pelos conflitos religiosos.
          Na Inglaterra, depois do breve e sangrento período católico de Maria Tudor, que governou de 1553 a 1558, a rainha Elizabeth I restabeleceu a autonomia da Igreja Anglicana, ao promulgar, em 1559, o Estatuto de Supremacia e o Estatuto de Uniformidade, e em 1563 os Trinta e nove artigos, uma compilação das doutrinas cristãs consideradas fundamentais pelo protestantismo anglicano. A soberana pretendia dessa forma chegar a um entendimento com os católicos e com os protestantes anglicanos de influência calvinista. O descontentamento destes últimos foi o germe de futuras dissensões no seio da Igreja Anglicana e do surgimento de novos movimentos religiosos. Tal foi o caso do puritanismo, no início apenas uma corrente espiritual que tomava a Bíblia como única regra de vida e recusava taxativamente tudo quanto fosse mundano. Como movimento organizado, o puritanismo surgiu quando alguns membros da Igreja Anglicana se rebelaram contra os resquícios de catolicismo que subsistiam no novo Livro de orações, de 1564. As perseguições movidas pela igreja oficial levaram então muitos puritanos a emigrar para o continente europeu e para as colônias americanas.
          Ao contrário do que ocorrera na Inglaterra, onde de início o calvinismo se chocou com a igreja oficial, na Escócia ele não tardou em transformar-se na religião principal, graças aos esforços de John Knox, no século XVI, que contribuiu ativamente para a instauração do presbiterianismo. Os congregacionistas, grupo puritano saído da Igreja da Inglaterra e dirigido por Robert Browne, mostraram-se desde sua origem, em 1580, muito mais radicais que os puritanos, pois rejeitavam qualquer outra autoridade na igreja que não a congregação, ou assembléia local. Baseavam sua maneira de pensar na doutrina dos primeiros reformadores, especialmente nos ensinamentos de Lutero.
          Por volta de 1647, George Fox fundou na Inglaterra a Sociedade dos Amigos, cujos adeptos logo foram conhecidos como quacres (quakers, "trêmulos"), nome procedente de uma frase pronunciada certa ocasião por seu fundador: "Honrai a Deus e tremei ante sua palavra." Os quacres concedem importância fundamental à palavra interior de Deus, de quem dizem receber inspiração direta; não admitem sacramento algum; rejeitam as idéias calvinistas sobre a predestinação; e recusam-se a pegar em armas.
          Paralelamente a essas igrejas independentes da Inglaterra, surgiram na Europa continental outros movimentos religiosos, o mais importante dos quais foi o pietismo, surgido na Alemanha no final do século XVII. Esse movimento nasceu como reação à teologia racionalista e ao dogmatismo que dominavam a igreja oficial alemã, e teve seu maior impulsor no pastor luterano Philipp Jakob Spener, autor de Pia desideria (1675; Piedosos desejos). Nessa obra, ele defendeu o sacerdócio universal dos fiéis, a leitura da Bíblia, um ensino teológico mais piedoso, a necessidade da oração individual e a formação de grupos para o estudo das Sagradas Escrituras.
          O movimento pietista exerceu considerável influência sobre o metodismo, fundado no século XVIII pelo teólogo inglês John Wesley, que, com seu irmão Charles e seu amigo George Whitefield difundiu entre os estudantes da Universidade de Oxford uma série de métodos de vida cristã para reativar o sentimento religioso. Embora os fundadores do grupo divergissem doutrinariamente quanto à idéia da predestinação, defendiam em comum a necessidade não apenas da fé, mas também da prática de boas ações.
          A difusão das doutrinas metodistas pela Europa, e sobretudo pelos Estados Unidos, deu origem no século XIX a um redespertar do protestantismo, caracterizado pela associação à teologia tradicional de uma espiritualidade sentimental e por uma profunda preocupação com os problemas morais e sociais. Essa renovação provocou também o surgimento de novos grupos minoritários com características próprias, os quais com freqüência foram considerados seitas, como os adventistas, pentecostais e testemunhas de Jeová, entre outros. Dada a conotação algo pejorativa do termo seita e do subjetivismo dessa classificação, essas comunidades passaram a receber mais tarde o nome de igrejas informais; caracterizam-se por uma interpretação da última vinda de Cristo e por se desenvolverem entre pequenos grupos de gente simples em busca da solidariedade de uma piedosa comunidade local.
          O reexame e a crítica dos textos bíblicos, e até mesmo da própria razão de ser do cristianismo -- que teólogos e intelectuais protestantes iniciaram no século XIX sob influência do racionalismo então imperante -- deram lugar ao desenvolvimento de uma nova teologia liberal, cujos representantes mais destacados foram os alemães Friedrich Schleiermacher e Albrecht Ritschl. Suas teorias sobre a salvação pela fé, que para o primeiro residia na experiência religiosa pessoal e para o segundo na necessidade social que o homem sente de Deus, constituíram a base do pensamento protestante do século XIX.
          A teologia liberal conduziu também a um enorme desenvolvimento da pesquisa bíblica, com uma orientação historicista. Os estudos críticos dos livros do Antigo e do Novo Testamento feitos por Ferdinand Christian Baur, Joseph Barber Lightfoot e Adolf von Harnack lançaram nova luz sobre as interpretações tradicionais da Bíblia.
          Com o início do século XX ocorreu um retorno à doutrina dos primeiros reformadores, representada por Karl Barth e Emil Brunner na Europa, e por Reinhold Niebuhr nos Estados Unidos. O movimento por eles impulsionado, denominado neo-ortodoxo, opunha-se às idéias liberais e ao sentimentalismo que rebaixam a mensagem da revelação divina.
 
 
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