Ansioso para compreender o mundo e seu
próprio papel dentro dele, o homem procurou, desde o surgimento
das primeiras sociedades, reproduzir em símbolos e imagens plásticas
suas intuições sobre os aspectos da realidade que escapavam
a seu entendimento. Essa é a fonte da qual nascem os mitos, manifestação
antropológica que, nas palavras do estudioso britânico H.
J. Rose, constitui "o produto da atividade da imaginação
ingênua sobre os fenômenos da experiência", ou seja,
o resultado dos esforços da intuição imaginativa para
explicar questões como a origem e o destino da humanidade, as estruturas
sociais, a natureza e a morte.
Dentro de sua variedade de formas constituintes,
as mitologias, como sistemas ordenados de mitos associados a certas crenças,
estão estreitamente vinculadas a estágios religiosos politeístas
que caberia considerar intermediários, do ponto de vista conceitual,
entre as religiões primitivas -- animismo, chamanismo -- e as monoteístas.
Não existe, nesse sentido, estrutura mitológica que não
tenha seu centro num panteão divino, cuja composição
e hierarquia significa, na verdade, um exercício de reflexão
simbólica sobre a realidade e seus diversos elementos.
A criação de mitos, no
entanto, não se restringe unicamente ao campo do transcendente,
pois freqüentemente responde ao desejo de representar os traços
históricos, sociais e culturais que definem um povo. Também
não pode ser considerada apenas como produto de uma etapa evolutiva
já superada pela humanidade. Muitos estudiosos consideram, a esse
respeito, que formas do pensamento mítico continuam presentes em
numerosos fenômenos culturais do mundo moderno.
Manifestação antropológica complexa e de difícil
definição, a mitologia constitui, em forma e essência,
uma unidade indissolúvel. Somente a exploração de
seus diferentes aspectos pode oferecer uma imagem indicativa da origem,
natureza e significado da realidade mítica e do conjunto de valores
subjacente às grandes mitologias.
Óleo de Joachim Patinir em que o barqueiro do rio Estige transporta as almas dos mortos, conforme o mito escatológico grego sobre a morte. (Museu do prado, Madri)
Cabeça de Zeus, máxima deidade do panteão olímpico grego. (Museu Arqueológico de Atenas)
Representação clássica de Ares, o deus grego da guerra que os romanos identificaram com Marte. (Museu das Termas, Roma)
"O nascimento de Vênus", quadro de Sandro Botticelli que representa a deusa do amor. Na mitologia greco-romana, os oceanos são fonte da vida de algumas divindades. (Galleria degli Uffizi, Florença.)
Triunfo de Netuno e Anfitrite, de Nicolas Poussin. (Museu do Louvre, Paris)
Prometeu trazendo o fogo, óleo de Jan Cossiers. Por roubar o fogo dos deuses e entregá-lo aos homens, Prometeu foi castigado eternamente. (Museu do Prado, Madri)
Estátua grega de Afrodite. A deusa do amor era uma das figuras do panteão olímpico mais representadas pelos escultores gregos. (Museu do Louvre, Paris)
Ganimedes e a águia de Zeus, escultura de Bertel Thorvaldsen. (Museu de Copenhague)
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Óleo de Joachim Patinir em que o barqueiro do rio Estige transporta as almas dos mortos, conforme o mito escatológico grego sobre a morte. (Museu do prado, Madri)