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Cristianismo - Bíblia - Livros da Bíblia - Antigo Testamento
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Livros históricos
          Na Bíblia cristã, esses livros estão agrupados em quatro blocos: (1) Josué, Juízes, Rute, Samuel e Reis; (2) Crônicas, Esdras e Neemias; (3) Tobias, Judite e Ester; (4) Macabeus. Na Bíblia hebraica, Josué, Juízes, Samuel e Reis são chamados profetas anteriores, para distingui-los de Isaías, Jeremias, Ezequiel e os 12 profetas menores, que são os posteriores. Chamam-se históricos porque têm como tema principal as relações de Israel com Iavé, nome pelo qual os israelitas designam Deus.

    Primeiro bloco. O Deuteronômio, último livro do Pentateuco, relata em seu capítulo final que, após a morte de Moisés, "Josué, filho de Nun, estava cheio do espírito de sabedoria, porquanto Moisés lhe impusera as mãos." Eis por que Josué é o primeiro dos livros históricos, pois seu relato dá imediata continuidade ao Deuteronômio. Mostra como o povo eleito instalou-se na terra prometida, Canaã, depois de atravessar o Jordão. Por meio da conquista de Jericó, os israelitas, comandados por Josué, apropriam-se da nova terra, cuja posse vai ser mantida enquanto houver obediência à lei. É feita a divisão da terra entre as tribos transjordânicas e cisjordânicas, que testemunham sua unidade pelo altar comum dedicado a Iavé. Com a morte de Josué, os filhos de Israel consultam Iavé sobre quem os dirigirá doravante, e recebem como resposta o destaque da tribo de Judá.
          Assim começa o segundo livro histórico, Juízes, cujo nome se refere aos heróis da libertação, chefes escolhidos por Deus para governar seu povo, no período entre a morte de Josué e a entronização de Saul, primeiro rei de Israel.
          Rute, o terceiro livro histórico, narra a conversão da moabita Rute, seu casamento com Booz e o nascimento de seu filho, Obed, que será o avô de Davi. É um livro de genealogia judaica, de Farés até o rei Davi.
          Os dois livros de Samuel, que na Bíblia hebraica constituem um só, relata o início do período monárquico. Foi Samuel, chefe religioso dos israelenses, quem ungiu o primeiro rei, Saul, seu sucessor, Davi, e quem os repreendeu por seus pecados.
          Os dois livros dos Reis, quinto dos históricos, formam, como os de Samuel uma só obra na Bíblia hebraica. Seu relato abrange um longo período, que vai de Samuel até à queda de Jerusalém, e o cativeiro na Babilônia.

    Segundo bloco. Crônicas, Esdras e Neemias formam um segundo grupo de livros históricos, que repetem e prolongam os relatos constantes dos livros anteriores. As Crônicas, tanto na Bíblia hebraica quanto na edição da Vulgata, recebem o nome de Paralipômenos, ou seja, livros que relatam as coisas omissas. Referem-se à época em que o povo judeu, que perdera a independência política, lutava por viver segundo as normas de sua lei religiosa. Contêm as listas genealógicas das tribos israelitas, desde Adão até Davi, um relato sobre o governo deste último e sobre o governo de Salomão -- com ênfase na construção do templo -- e a história do reino de Judá, até sua destruição. Esdras e Neemias narram a volta dos judeus da Babilônia e a reconstituição de Jerusalém.

    Terceiro bloco. O terceiro grupo dos livros históricos compõe-se de Tobias, Judite e Ester. Os dois primeiros não foram admitidos nem pela Bíblia hebraica nem pelos protestantes. Para a Igreja Católica, são deuterocanônicos, admitidos depois do sínodo romano do ano 382. Os três livros são cheios de inconsistências históricas, misturam datas e lugares e apresentam omissões. No entanto, são extremamente bem escritos, de leitura agradável e absorvente, e inspiram-se em relatos patriarcais do Gênesis. Tobias é uma história edificante, em que se ressaltam a caridade, os deveres para com os mortos e o sentimento familiar. Judite conta a vitória do povo eleito contra seus inimigos, graças à coragem de uma mulher. O mesmo enredo é o tema de Ester, em que se evidencia a hostilidade que os judeus provocavam no mundo antigo, devido à singularidade de sua vida.

    Quarto bloco. O último grupo dos históricos é formado pelos dois livros dos Macabeus, que não fazem parte do cânon judaico e do protestante e são deuterocanônicos para os católicos. O título refere-se a Judas Macabeu, filho do sacerdote Matatias, e seus seguidores, que lutaram pela liberdade religiosa de Israel contra Antíoco, rei dos selêucidas. É sobretudo impressionante o martírio da mãe e dos sete filhos, que preferiram a tortura e a morte a ter que transgredir a lei. O sacrifício serviu de incentivo à luta organizada por Matatias. Os dois livros não têm, em seu conjunto, um relato contínuo, e seu estilo literário é diferente.

 
 
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