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Primeiro bloco. O Deuteronômio, último livro
do Pentateuco, relata em seu capítulo final que, após a morte
de Moisés, "Josué, filho de Nun, estava cheio do espírito
de sabedoria, porquanto Moisés lhe impusera as mãos." Eis
por que Josué é o primeiro dos livros históricos,
pois seu relato dá imediata continuidade ao Deuteronômio.
Mostra como o povo eleito instalou-se na terra prometida, Canaã,
depois de atravessar o Jordão. Por meio da conquista de Jericó,
os israelitas, comandados por Josué, apropriam-se da nova terra,
cuja posse vai ser mantida enquanto houver obediência à lei.
É feita a divisão da terra entre as tribos transjordânicas
e cisjordânicas, que testemunham sua unidade pelo altar comum dedicado
a Iavé. Com a morte de Josué, os filhos de Israel consultam
Iavé sobre quem os dirigirá doravante, e recebem como resposta
o destaque da tribo de Judá.
Segundo bloco. Crônicas, Esdras e Neemias formam um segundo grupo de livros históricos, que repetem e prolongam os relatos constantes dos livros anteriores. As Crônicas, tanto na Bíblia hebraica quanto na edição da Vulgata, recebem o nome de Paralipômenos, ou seja, livros que relatam as coisas omissas. Referem-se à época em que o povo judeu, que perdera a independência política, lutava por viver segundo as normas de sua lei religiosa. Contêm as listas genealógicas das tribos israelitas, desde Adão até Davi, um relato sobre o governo deste último e sobre o governo de Salomão -- com ênfase na construção do templo -- e a história do reino de Judá, até sua destruição. Esdras e Neemias narram a volta dos judeus da Babilônia e a reconstituição de Jerusalém. Terceiro bloco. O terceiro grupo dos livros históricos compõe-se de Tobias, Judite e Ester. Os dois primeiros não foram admitidos nem pela Bíblia hebraica nem pelos protestantes. Para a Igreja Católica, são deuterocanônicos, admitidos depois do sínodo romano do ano 382. Os três livros são cheios de inconsistências históricas, misturam datas e lugares e apresentam omissões. No entanto, são extremamente bem escritos, de leitura agradável e absorvente, e inspiram-se em relatos patriarcais do Gênesis. Tobias é uma história edificante, em que se ressaltam a caridade, os deveres para com os mortos e o sentimento familiar. Judite conta a vitória do povo eleito contra seus inimigos, graças à coragem de uma mulher. O mesmo enredo é o tema de Ester, em que se evidencia a hostilidade que os judeus provocavam no mundo antigo, devido à singularidade de sua vida. Quarto bloco. O último grupo dos históricos é formado pelos dois livros dos Macabeus, que não fazem parte do cânon judaico e do protestante e são deuterocanônicos para os católicos. O título refere-se a Judas Macabeu, filho do sacerdote Matatias, e seus seguidores, que lutaram pela liberdade religiosa de Israel contra Antíoco, rei dos selêucidas. É sobretudo impressionante o martírio da mãe e dos sete filhos, que preferiram a tortura e a morte a ter que transgredir a lei. O sacrifício serviu de incentivo à luta organizada por Matatias. Os dois livros não têm, em seu conjunto, um relato contínuo, e seu estilo literário é diferente. |
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