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Cristianismo - Bíblia
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Leitura e liturgia
          A igreja primitiva considerava a leitura das Sagradas Escrituras uma maneira eficaz de entrar em contato com Deus. Essa postura determinou a disseminação de traduções, que acompanharam o crescimento da igreja, desde a Judéia e Samaria, até a Anatólia -- Éfeso, Pérgamo, Laodicéia, Filadélfia --, Grécia, e finalmente Roma, onde são Pedro estabeleceu sua sé. Os papas sempre aconselharam a leitura privada da Bíblia, como fonte de vida espiritual, pregação e catequese.
          No rito católico, a liturgia da palavra e a celebração da eucaristia sempre estiveram juntas. Com as mudanças introduzidas na liturgia, a partir do papa João XXIII, a leitura de trechos do Antigo Testamento, de uma epístola e do Evangelho passaram a ser feitas não mais em latim, pelo texto da Vulgata -- tradução latina oficial da Igreja Católica -- mas na língua do lugar onde se celebra o culto. No entanto, a proliferação de traduções, nem sempre confiáveis, já havia levado a Santa Sé a estabelecer normas e limitar a leitura às edições devidamente revistas e aprovadas.
          No rito oriental, sobretudo após as grandes controvérsias teológicas dos quatro primeiros séculos, incorporou-se a prática de compor textos de orações, hinos e cantos corais alusivos a diversas passagens da Bíblia, que funcionavam como pequenos sermões. A Igreja Ortodoxa oriental adota muitos textos nessa linha, como orações que proclamam a teologia ortodoxa, o canto diário de salmos, com maior ênfase no culto do domingo. Na tradição grega adotam-se hinos de composição livre, baseados em personagens ou episódios bíblicos, ou paráfrases de passagens das Escrituras.
          A liturgia do judaísmo é a da sinagoga, que começou ao tempo do exílio da Babilônia, no século VI a.C. e substituiu aos poucos o culto do templo. Como a sinagoga estava separada do templo de Jerusalém, cada instituição adotava sua própria liturgia. A congregação dos rabinos prestava culto à parte, em certos dias festivos prescritos pela Bíblia; o povo prescindia de sacerdote, mas mantinha um estreito sentido de comunidade, que agia segundo a palavra de Deus, expressa nas Escrituras. Obedecia aos dias, semanas, meses e anos prescritos, o que dava uma ordem à vida comunitária. A leitura em voz alta, nas sinagogas, era o ponto alto do culto, e muito concorreu para que o texto bíblico se tornasse familiar aos judeus.
          A fé protestante está dividida em tão grande número de grupos culturais e religiosos, com perspectivas teológicas tão diversas, que não há como generalizar sobre as relações entre o culto e a Bíblia. Para os anglicanos, como também para a maioria dos luteranos, no século XX, prevalecem as mesmas orientações vigentes para os católicos, com a composição de orações, hinos e cânticos inspirados na Bíblia. Certas correntes protestantes de orientação fundamentalista, que mantêm uma interpretação mais radicalmente literal, nada além da Bíblia deve servir como texto de culto. A liturgia protestante das demais confissões situa-se entre esses dois extremos.
 
 
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