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Bramanismo
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Karma, samsara e moksha
          A doutrina específica dos Upanishads é a das correspondências e relações entre todas as coisas, imperceptíveis ao vulgo, mas conhecidas dos sábios. Essas relações podem referir-se a similitudes de estruturas, mas na maior parte dos casos são numéricas ou verbais. Todas as coisas de mesmo número têm uma essência comum, e os nomes de coisas semelhantes a palavras que exprimam ações são capazes de desenvolver nessas coisas a aptidão de  realizarem tais ações.
          O purusha, ou homem cósmico, é considerado em relação com a ação ritual (yajna), e uma série de concordâncias são estabelecidas para reforçar essa noção de correspondência entre o microcosmo e o macrocosmo.
          A semente de Prajapati (senhor das criaturas) é constituída pelos deuses (força da natureza). O produto dos deuses é a chuva, que por sua vez produz as plantas, que fornecem alimento, que produz a semente propriamente dita, que dá origem às criaturas. O produto da criatura humana, que opera de maneira semelhante a Prajapati, é o coração, considerado sede das funções psíquicas. O produto do coração é o espírito (Manas), que produz a palavra, originadora da ação (karma).
          Essa ação faz com que o homem se descubra como sendo o próprio Brahman (Absoluto), que é o "senhor das criaturas", onde tudo se origina, e ao mesmo tempo habita no seio da individualidade psíquica. Assim, a filosofia dos Upanishads ensina o homem a buscar o Absoluto dentro de seu próprio coração, e a compreender a identidade básica entre o Brahman e sua alma individual (atman). Essa identidade é expressa na famosa fórmula tat tvam asi (tu és aquilo).
          A ação ou karma depende do espírito e da palavra e confere a cada indivíduo seu destino, que, se não for realizado na existência presente, se realizará numa vida futura. A dissolução do corpo não acarreta a dissolução do espírito que, marcado pelas ações praticadas durante a vida que findou, experimentará existências futuras, em que viverá as conseqüências boas ou más dessas ações.
          Esse processo de vidas sucessivas (samsara) prosseguirá indefinidamente, a menos que a individualidade consiga a libertação (moksha) do domínio dos atos, tomando consciência de sua identidade original com o absoluto. A origem dessa doutrina de transmigração ou reencarnação é obscura, mas talvez seja uma influência de cultos primitivos de natureza totêmica e da Índia pré-ariana.
          Uma noção introduzida pelos Upanishads é a do despertar (bodhi) ou tomada de consciência da verdadeira natureza de si mesmo, que é o conhecimento (jnana) por excelência. Ensinam-se técnicas psicofísicas de meditação e contemplação para se chegar a esse conhecimento (Yoga), bem como a meditação sobre a sílaba sagrada om ou aum, símbolo do Absoluto, que tem grande importância no hinduísmo. Muitas vezes o Absoluto é expresso de maneira negativa, neti neti (não é isso, não é isso), para indicar a impossibilidade de defini-lo através do intelecto e da linguagem conceitual.
 
 
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