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Outros temas
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          O adágio "Deus escreve certo por linhas tortas" exprime de forma ingênua um conceito coerente com a essência do hermetismo, ao reconhecer que a realidade que transcende ao homem pode manifestar-se de forma ambígua e aparentemente incompreensível. 
          Dentro da ampla variedade de conhecimentos espirituais reunidos sob o nome de esoterismo, hermetismo designa sobretudo os conhecimentos que dizem respeito à esfera cósmica, por oposição à esfera divina ou puramente espiritual, a que ela conduz como um estágio preparatório. O hermetismo não se ocupa diretamente de temas espirituais -- Deus, infinitude, eternidade etc. -- mas sim do aspecto espiritual da natureza, do cosmos e da matéria, considerados como pontes sem cuja travessia o espiritual é inacessível ao homem. Não trata do espírito, mas da espiritualização. 
          Seu campo de atuação é duplo: de um lado, busca elevar o homem ao conhecimento do divino por meio do conhecimento das leis naturais em que se expressa sutilmente uma intencionalidade divina. O preceito alquímico lege, lege, relege et invenies ("lê, lê, relê e encontrarás") refere-se menos aos livros do que à natureza mesma, considerada como uma criptografia divina. Decifrar essa criptografia permite "refazer" o homem, tanto na alma como no corpo. De outro lado, a tradição hermética crê que, assim fazendo, não beneficia apenas o homem, mas enobrece a natureza e a própria matéria, espiritualização do cosmos. A transformação do chumbo em ouro designa assim, inseparavelmente, o enobrecimento da matéria e do homem, e é esta inseparabilidade, esta unidade dos conhecimentos físicos e espirituais, que mais tipicamente caracteriza a tradição hermética. 
          Usado às vezes em sentido genérico, para designar quaisquer conhecimentos dessa índole (e nesse caso pode-se falar, por exemplo, de um hermetismo chinês, ou hindu), o termo é mais freqüentemente empregado para nomear a vertente greco-romana (e, por herança, européia e islâmica) dessa tradição.
          O hermetismo em sentido estrito surgiu no final da época helenística, afirmando-se como uma revivescência de um legado egípcio. Compunha-se, como seu antepassado, de um complexo de conhecimentos em que se destacavam a astrologia, a alquimia e a magia. Segundo essa tradição, o deus egípcio Thot (Hermes para os gregos, Mercúrio para os romanos), teria sido o portador dos primeiros conhecimentos que os homens receberam sobre a matemática, a escrita e as ciências da natureza em geral (sem esquecer que, nessa perspectiva, a natureza é encarada sempre como manifestação do espírito, e não como território puramente "material" isolado). 
          O deus Thot, em forma de mandril e como padroeiro dos escribas. Thot (Hermes na Grécia) teria transmitido ao homem os primeiros conhecimentos herméticos.
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