|
|
Fontes cristãs. O principal testemunho cristão sobre Jesus são os quatro evangelhos canônicos. Resumem, cada um a sua maneira, a catequese oral dos primeiros decênios do cristianismo sobre a pessoa, as palavras e as obras de Jesus. Relatam também as reações de seu povo: muitos acreditaram nele, outros não o compreenderam e o rejeitaram. Esses escritos básicos da fé cristã coincidem entre si e com muitos pontos do testemunho de outros historiadores da época. Os quatro Evangelhos foram escritos originalmente em grego, se bem que o de Mateus pode provir de um texto anterior, em aramaico. Parece certo que os evangelhos sinópticos foram escritos antes do ano 80, e o de João em finais do século I. Neles fica manifesta a diferente personalidade de seus autores, embora tenham um ponto comum, pois, superpondo-se os quatro Evangelhos, neles se encontra uma "imagem única" na história: a do judeu que supera o judaísmo, a do homem que ultrapassa a humanidade e a do Homem-Deus, Jesus de Nazaré, protagonista e herói de uma narração que não é quádrupla mas única. Os evangelhos canônicos não foram as únicas narrativas cristãs sobre a vida de Jesus. Escreveram-se muitas outras, não reconhecidas por nenhuma igreja cristã e de características geralmente mais fantásticas, agrupadas sob o nome de evangelhos apócrifos -- segundo a terminologia católica -- ou pseudo-apócrifos -- para os protestantes. Fontes não-cristãs. Entre as fontes não-cristãs, destaca-se a do judeu Flávio Josefo, historiador da corte romana de Domiciano, que se referiu à morte de são João Batista em termos que coincidem substancialmente com o relato evangélico. Menciona também o martírio de Tiago, "irmão daquele Jesus que é chamado Cristo". Outras passagens de Flávio Josefo, que se referem também aos milagres e à ressurreição, devem-se provavelmente a uma interpolação cristã posterior. O maior dos historiadores romanos, Tácito, também mencionou a figura de Cristo, ao referir-se ao incêndio de Roma. Nero, para desculpar-se, atribuiu o incêndio aos cristãos, cujo nome, afirma Tácito, "lhes vem de Cristo, o qual, sob o principado de Tibério, o procurador Pôncio Pilatos entregara ao suplício ...". A tradição judaica recolhe também notícias acerca de Jesus. Assim, no Talmude de Jerusalém e no da Babilônia incluem-se dados que, evidentemente, contradizem a visão cristã, mas que confirmam a existência histórica de Jesus de Nazaré. |
bravenet.com