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Judaísmo Doutrina e culto
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Festividades e culto 
          São festivos todos os sábados (shabat), a Páscoa (Pessach), Pentecostes (Shavuot) e Tabernáculos (Sucot). Nos sábados e nos dias festivos todo trabalho é proibido. 
          A observância do sábado como dia de descanso de toda atividade considerada trabalho é um dos pilares do comportamento religioso no judaísmo. O mandamento de observar o shabat consta do Decálogo, e é o único que insinua a morte como castigo dos que o violarem. É um dia de repouso, oração, meditação e também de alegria. A mística do shabat é marcante no folclore e na cultura judaicas. É comparado a uma noiva que o homem recebe no anoitecer da sexta-feira para dela se despedir por uma semana na noite de sábado, na cerimônia de havdalá (separação, diferenciação). 
          Pessach é uma festa de múltiplos significados. Historicamente comemora a libertação dos judeus da escravidão no Egito e sua formação como um povo com uma religião e um destino comuns. É comemorada na véspera do primeiro de seus oito dias, com um serviço especial na sinagoga e um jantar cerimonial familiar (seder) cheio de simbolismo, quando se lê a Hagadá (o relato dos eventos e sua interpretação), come-se o pão ázimo (matsá) e ervas amargas (maror), e se bebe vinho. Pessach tem também um aspecto ligado à natureza, como festa da primavera, e à agricultura, como festa do início da colheita dos cereais. 
          Shavuot, sete semanas depois do primeiro dia de Pessach, comemora a entrega da Torá aos judeus no Sinai. Era o dia em que se levavam ao templo as primícias do fruto da terra (bikurim), representadas em sete espécies: trigo, cevada, vinha, oliva, figo, tâmara, romã. 
          Em Sucot, os judeus relembram o período do deserto, a caminho de Canaã, quando dormiam em tendas. Durante os oito dias da festa os judeus praticantes comem suas refeições em cabanas que constroem nos pátios, terraços ou varandas de suas casas. Em seu aspecto agrícola, é a festa do fim da colheita, quando a safra está guardada nos celeiros e silos, aguardando o inverno. São símbolos da festa quatro espécies vegetais: etrog (fruto cítrico doce e aromático), lulav (palma), hadas (murta) e aravá (salgueiro). Ao final de Sucot os judeus comemoram o fim do ciclo anual e o reinício de novo ciclo de leitura da Torá, com a festa de Simchat Torah (alegria da Torá). Na sinagoga, a Torá é ornada com seus mais belos paramentos, e a congregação dança com a Torá. 
          As três festas (Pessach, Shavuot, Sucot), além de integrarem o caráter religioso-histórico com o agrícola, que hoje tem significado real em Israel, tinham na antiguidade um aspecto de unificação nacional, pois eram festas de peregrinação ao templo de Jerusalém. 
          Há também alguns dias de jejum e contrição, sendo o mais importante deles Tishah beAv (nove do mês de Av), em que foram destruídos tanto o primeiro quanto o segundo templos. Entretanto, as festas religiosas mais importantes (chamadas as Grandes Festas) são: a que marca o início do ano (Rosh Hashaná) e o Dia da Expiação (Yom Kippur), este o dia mais sagrado do calendário judaico. Representam, em conjunto, uma ocasião de reflexão e penitência, quando, nos serviços na sinagoga e no lar, mentes e corações dirigem-se a Deus, que reconsidera o destino de cada homem em função de seus atos e de seu arrependimento (o destino é estipulado em Rosh Hashaná e selado em Yom Kippur, e os dias entre as duas festas são chamados "dez dias de arrependimento" (asseret iemei teshuvá). Nos dois dias de Rosh Hashaná e no Yom Kippur, este de jejum total do anoitecer da véspera ao do dia da festa, toca-se na sinagoga o shofar (espécie de corneta feita de chifre), como lembrança do compromisso assumido ao se receber o Decálogo no Sinai (quando soou o shofar) e como chamamento à prece e despertar das consciências. 
          Outras festas importantes do calendário judaico são Purim, que comemora a libertação dos judeus da Pérsia e das perseguições de Amã, cruel ministro do rei Assuero (nome bíblico de Xerxes I, rei da Pérsia) e protótipo de anti-semita, graças à intervenção da rainha judia Ester e de seu tio Mardoqueu (Mordechai); Lag Baomer, que relembra a luta contra os romanos; e Hanuká, a "festa das luzes", que evoca o milagre ocorrido quando da purificação do templo após a vitória dos Macabeus sobre os selêucidas: a lâmpada que deve arder dia e noite no templo só tinha óleo para um dia, mas ardeu oito dias seguidos, até que se providenciasse mais óleo. Nos lares judaicos acendem-se uma vela na primeira noite, duas na segunda e assim por diante, num candelabro especial de Hanuká chamado chanukiá. 
          A história judaica moderna trouxe para o calendário algumas comemorações de caráter civil e nacional: Tu biShevat (15 do mês de Shevat), Dia da Árvore, quando, em Israel, crianças e adultos plantam árvores; Yom Hashoá, o Dia do Holocausto, em que se relembram os seis milhões de judeus mortos pelos nazistas, e que é comemorado no aniversário do levante do gueto de Varsóvia; Yom Hazikaron (Dia da Lembrança), quando se homenageiam os israelenses mortos nas guerras de libertação e defesa de Israel, comemorado na véspera de Yom Haatsmaut, o Dia da Independência do Estado de Israel.
 
 
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