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Cristianismo - Bíblia - Livros da Bíblia - Novo Testamento
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Epístolas
          Sob esse título genérico situam-se tanto as cartas de Paulo quanto as chamadas epístolas católicas. Ambos esses conjuntos enfeixam escritos circunstanciais, que se remetem a situações concretas, seja com o intuito de criticar e repreender -- e também de elogiar e incentivar -- seja com o objetivo de esclarecer pontos doutrinários, seja finalmente para dar notícias das outras comunidades cristãs e de seus integrantes.
          Embora não se possa buscar nas epístolas propriamente uma exposição doutrinária sistemática e completa, é certo que elas, em seu conjunto, esclarecem e reforçam certos princípios da filosofia e da teologia cristã. Assim, por exemplo, é por meio da Epístola aos Gálatas que Paulo critica a discriminação que Cefas começa a fazer entre os cristãos circuncisos (judeus convertidos) e incircuncisos (gentios que abraçaram a fé cristã) para deixar claro que "o homem não se justifica pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo", conforme o Evangelho.

    Epístolas de Paulo. Paulo foi, na nascente comunidade apostólica, a figura mais polêmica do cristianismo. Ele mesmo trazia em si características pessoais extremamente marcantes. Sem ser fisicamente atraente nem ter saúde muito boa, possuía uma força de vontade e coragem pessoal inquebrantáveis. Essas qualidades somavam-se a uma coerência radical, que o fazia obedecer cegamente àquilo em que acreditava. Assim foi enquanto fariseu, quando perseguiu implacavelmente os cristãos; e após a conversão, quando enfrentou toda sorte de dificuldades, perigos, prisões e martírios, em nome da fé em Cristo.
          O conjunto das epístolas paulinas compreende 14 textos: Romanos, Primeira e Segunda aos Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, Primeira e Segunda aos Tessalonicenses, Primeira e Segunda a Timóteo, Tito, Filemon e Hebreus. Em todas, perpassa sua linguagem candente, de apaixonado catequista, sem prejuízo de uma fina capacidade de argumentação e uma clara formulação de princípios doutrinários. Na carta aos tessalonicenses, por exemplo, baseia-se nas categorias apocalípticas do judaísmo para dizer que "o Senhor Jesus virá dos céus, com os anjos do seu poder, e destruirá 'o Iníquo' com o sopro de sua boca e o aniquilará com o resplendor de sua vinda". Nas suas cartas posteriores, porém, o apóstolo se torna cada vez menos apocalíptico e cada vez mais doutrinário; mais voltado também para a prática da vida cristã nas igrejas por ele fundadas. Na carta que dirige aos gálatas, resume sua posição em relação ao desvio legalista: "Quanto a mim, não aconteça gloriar-me senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo."
          Na primeira epístola aos coríntios (1Cor 13, 1-13) encontra-se o "Hino à caridade", em que Paulo exalta o amor fraterno como o principal carisma, aquele que ficará para sempre. Das três virtudes teologais, fé, esperança e caridade, esta é a primeira, a maior de todas, a que jamais passará. Na primeira parte do capítulo, Paulo exalta a superioridade do amor, sem o qual, mesmo que "falasse línguas, as dos homens e as dos anjos... seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine". Na segunda parte, refere-se às obras da caridade -- paciente, prestativa, que "não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho"... "tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta". Na terceira parte, fala da perenidade do amor, que jamais passará, ao contrário "das profecias, das línguas e da ciência".
          Por sua absoluta coerência com a conversão e a nova fé em Cristo, pela compreensão da universalidade da mensagem cristã, Paulo ficou conhecido como 'o apóstolo dos gentios', fundador, no espaço de poucos anos, de comunidades cristãs em todo o mundo greco-romano. Foi ele quem deu à comunidade cristã a idéia de autonomia, de separação da comunidade judaica. Um dos traços mais característicos do seu apostolado é a igualdade de todos os fiéis, sem distinção de raça, sexo ou classe. Daí o episódio de sua discussão com Pedro, narrada na epístola aos Gálatas, quando Paulo deixa claro que "o homem não se justifica pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo". Critica assim a tibieza de Pedro que, pressionado pelos circuncisos (judeus convertidos), passou a evitar a companhia dos gentios convertidos: "se tu, sendo judeu, vives à maneira dos gentios e não dos judeus, por que forças os gentios a viverem com os judeus?"
          As sete epístolas que não são da autoria de Paulo são chamadas católicas (universais), talvez por se dirigirem à comunidade dos cristãos em geral. A Epístola de Tiago tem como temas principais a exaltação dos pobres e a condenação dos ricos e a execução de boas obras no lugar de uma fé estéril. A Primeira Epístola de Pedro tem como objetivo sustentar a fé dos cristãos em meio às dificuldades e perseguições; a segunda, apresenta um resumo da teologia em voga na época apostólica. Em ambas, percebe-se a simplicidade e a perseverança características do príncipe dos apóstolos. Das três epístolas de João, a primeira é uma encíclica às comunidades da Ásia, ameaçadas de cisão pelas heresias; a segunda, adverte contra os que negavam a realidade da encarnação; e a terceira destina-se a dirimir conflitos de autoridade. A Epístola de Judas objetiva estigmatizar os falsos doutores, que ameaçam a integridade da fé cristã.

 
 
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