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Elementos característicos dos sistemas
religiosos
Os princípios elementares
comuns à maioria das religiões conhecidas na história
podem agrupar-se nos seguintes capítulos: crenças, ritos,
normas de conduta e instituições.
Toda religião pressupõe algumas crenças básicas,
como a sobrevivência depois da morte, mundo sobrenatural etc., ao
menos como fundamento dos ritos que pratica. Essas crenças podem
ser de tipo mitológico -- relatos simbólicos sobre a origem
dos deuses, do mundo ou do próprio povo; ou dogmático --
conceitos transmitidos por revelação da divindade, que dá
origem à religião revelada e que são recolhidos nas
escrituras sagradas em termos simbólicos, mas também conceituais.
Os conceitos fundamentais organizam-se,
de modo geral, em um credo ou profissão de fé; as deduções
ou explicações de tais conceitos constituem a teologia ou
ensinamento de cada religião, que enfoca temas sobre a divindade,
suas relações com os homens e os problemas humanos cruciais
-- a morte, a moral, as relações humanas etc. Entre as crenças
destaca-se, em geral, uma visão esperançosa sobre a salvação
definitiva das calamidades presentes, que pode ir desde a mera ausência
de sofrimento até a incógnita do nirvana ou a felicidade
plena de um paraíso.
A manifestação das próprias
crenças e anseios mediante ações simbólicas
é inerente à expressividade humana. Da mesma forma, as crenças
e sentimentos religiosos têm se manifestado através dos ritos,
ou ações sagradas, praticados nas diferentes religiões.
Até no budismo, contra o ensinamento de Buda, desenvolveram-se desde
o começo diversas classes de rituais. Toda religião que seja
mais do que uma filosofia gera uma série de ritos ao ser vivida
pelo povo. Existem ritos culturais em honra à divindade, ritos funerários,
ritos de bênçãos ou de consagração e
muitos outros.
Observa-se em geral, nas diversas religiões,
a existência de ministros ou sacerdotes encarregados de celebrar
os principais rituais e, em especial, o culto à divindade. Os atos
mais importantes desse culto são oferendas e sacrifícios
praticados em conjunto, com invocações e orações.
Com freqüência celebram-se os ritos em lugares e épocas
considerados sagrados, especialmente dedicados à divindade, e observados
com escrupulosa exatidão através dos tempos.
O terceiro elemento característico
de toda religião é o estabelecimento, mais ou menos coercitivo,
de normas de conduta do indivíduo ou do grupo no que se refere a
Deus, a seus semelhantes e a si mesmo. O primeiro comportamento exigido
é a conversão ou mudança para um novo modo de vida.
Com relação a Deus, destacam-se as atitudes de veneração,
obediência, oração e, em algumas religiões,
o amor. Na conduta no âmbito da esfera humana entra, em maior ou
menor medida, um sistema de normas éticas.
Quase todas as religiões cristalizam-se
em algumas instituições dogmáticas (doutrinárias)
e cultuais (sacerdócio, hierarquia). Muitas delas chegam a institucionalizar
a conduta, com a criação até mesmo de tribunais de
justiça e sanções e a organizar administrativamente
as diversas comunidades de crentes e suas propriedades. Essas instituições
dão forma e coesão aos crentes como um grupo social -- religião,
povo, igreja, comunidade; a elas somam-se outras instituições
voluntárias de tipo assistencial ou de plena dedicação
religiosa, que correspondem a grupos informais dentro do grupo institucionalizado.
As instituições consideram imprescindível a forma
externa, enquanto que a fé considera o espírito interno como
essencial à religião.
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