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Coube a Paulo, convertido em torno do ano 35, a tarefa principal na expansão do cristianismo além das fronteiras da Palestina e na sistematização de suas doutrinas. As polêmicas de Paulo com os judeus, levantadas pelo número cada vez maior de conversões, foram determinantes na caracterização do cristianismo como religião universal e não como seita judaica. A questão sobre a permissão para os judeus comerem juntos com gentios e o rito da circuncisão foram elementos preponderantes nesse debate e temas principais do Concílio de Jerusalém, reunido no ano 49. As epístolas de Paulo, dirigidas às comunidades fundadas por ele ou por outros missionários, forneceram as bases para as doutrinas da encarnação, da Trindade, da expiação, do Espírito Santo, da organização da igreja e da mais completa igualdade dos homens, a começar entre judeus e gentios. O quarto evangelho, atribuído a João, que apareceu entre os anos 95 e 98 (segundo outros, em 110), talvez em Éfeso, deu outra importante contribuição para a sistematização das doutrinas cristãs. Não se sabe ao certo, porém, se a peculiaridade de suas idéias pode ser atribuída ao conhecimento efetivo do ensino e da vida de Jesus ou à influência do pensamento grego ou gnóstico. O uso da palavra grega logos, no prefácio do livro, explica a seleção das narrativas e sua profundidade, já que o autor conhecia o mundo judaico e o grego. O quarto evangelho parece, muitas vezes, uma continuação do pensamento paulino (Paulo esteve demoradamente em Éfeso), sobretudo os textos sobre a preexistência de Cristo e a universalidade de sua mensagem. |
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