Muitos vêem a cabala, erroneamente,
apenas como sistema de manipulações mágicas. Em certas
épocas esse aspecto teve papel preponderante, mas a cabala nunca
deixou de ser função de uma busca filosófica da compreensão
de Deus, dos mistérios do universo e do destino do homem.
Cabala, além de seu sentido genérico
de tradição oral -- as interpretações dos textos
sagrados, expressos na torah shebeal pe (doutrina oral) -- é um
conjunto de preceitos e especulações místico-esotéricas
da filosofia religiosa judaica, sob a influência de outras doutrinas.
Começou a cristalizar-se a partir do início da era cristã,
definindo-se no século XIII como sistema filosófico-religioso.
O pensamento judaico sempre foi interpretativo dos textos bíblicos,
deles procurando extrair significados ocultos. A cabala originou-se na
kabalah (tradição), iluminada por um misticismo exacerbado
que acabou por assumir o primeiro plano para ganhar os valores de um sistema
conceitual.
Visão do carro de Ezequiel,
afresco de Rafael sobre a alegoria cabalística da elevação
da alma à procura de Deus. (Palácio Pitti, Florença)