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Vários são os aspectos pesquisados pela arqueologia -- desde a construção de edifícios e confecção de vestuário, até a organização militar, administrativa, política, religiosa e comercial. Os meios de transporte, as armas e utensílios, a educação, o lazer, as profissões e ofícios, os meios de subsistência, a estrutura urbana, sanitária e viária, a escrita e as artes -- tudo concorre para formar esse imenso pano de fundo, contra o qual se pode assistir com maior nitidez ao desenrolar da história relatada nos livros bíblicos. A partir de escritos preservados em tábuas de pedra e barro, em hieróglifos ou em caracteres cuneiformes, foi possível uma compreensão mais clara de como os judeus e os povos com os quais coexistiram pensavam e agiam, como se vestiam, de que se alimentavam, que deuses cultuavam, quais os seus ritos, sua filosofia, suas artes, como guerreavam ou estabeleciam tratados de paz. Restaurar todos esses elementos, no grau em que foi possível, significou restabelecer todo um conjunto de símbolos, um sistema de significação que permitiu compreender melhor as inúmeras metáforas, a rede de sentidos figurados em que se tece a linguagem da Bíblia. Várias descobertas desse teor podem ser citadas: as escavações realizadas em Ur, cidade natal de Abraão, que permitiram a descoberta de textos alusivos a uma grande enchente, que se pode correlacionar ao relato do dilúvio; e a localização de restos de uma construção que pode ser ligada à descrição da torre de Babel. Em Nuzi, encontraram-se referências ao sacrifício de crianças -- que Abraão substituiu pelo de animais -- e ao roubo de ídolos, como refere o Gênesis (capítulo 31). No Egito, levantaram-se relatos sobre a invasão dos hicsos, ao tempo de José. Em Susa, na Babilônia, restaurou-se o código de Hamurabi, contemporâneo de Abraão. Numa estela construída por volta do ano 1200 a.C., há citações sobre Israel e Palestina. |
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