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Cristianismo
Revista Galileu Ed. 125 Dezembro/2001  
Por Maurício Tuffani 
A nova fé
 
          Jesus ainda é um mosaico enigmático, mas já se sabe que dificilmente ele teria pretendido fundar uma outra religião. 
     
          Existe um abismo cada vez mais alarmante entre os resultados da pesquisa científica em torno da Bíblia e o que dela sabe o cidadão comum, pertencente ou não a alguma igreja. Essa frase parece, em princípio, vir de algum ferrenho crítico da religião ou até mesmo de um ateu. Mas, na verdade, ela foi escrita por um religioso: Rochus Zuurmond, professor de teologia bíblica da Universidade Livre de Amsterdã, na Holanda, em seu livro Procurais o Jesus Histórico? Essas palavras se aplicam a uma das questões mais delicadas e incômodas para o catolicismo e outras religiões cristãs: Jesus teve realmente intenção de fundar uma nova igreja?  
     O Presépio 
    Homens, mulheres e crianças de todo o mundo unidos  
    em torno de Jesus, no quadro de Joseph Stella (1933)
     
          Na virada do século 20 para o 21, dois escritores deram respostas diferentes para essa delicada questão religiosa. Em 2000, o francês Georges Suffert, do comitê editorial do jornal parisiense Le Figaro, publicou o livro Tu És Pedro – A história dos primeiros 20 séculos da Igreja fundada por Jesus Cristo. O título da obra, editada no Brasil este ano, dispensa esclarecimentos sobre sua posição nessa polêmica. Por sua vez, o espanhol Juan Arias (ver entrevista abaixo) lançou este ano o livro Jesus – Esse grande desconhecido, no qual deixa bem claro que, para a maior parte dos estudiosos bíblicos, o judaico-cristianismo palestino do século 1º não era uma nova religião. 

          Apesar do título, o livro de Suffert nem sequer comenta as pesquisas sobre a intenção de Jesus de estabelecer uma religião. Limita-se a citar a famosa frase do Evangelho de Mateus em que Pedro é apontado como a "pedra" sobre a qual será edificada a Igreja. É uma obra declaradamente engajada, na medida em que o autor afirma fazer "das posições tomadas por Roma o eixo central" de sua narrativa. No entanto, no livro de Arias, em que um capítulo inteiro é dedicado à pergunta sobre a fundação da Igreja, as interrogações são abundantes. "Esta Igreja, que se diz fundada por Jesus, não será antes a herdeira de uma fé que foi sendo construída ao longo dos séculos sobre os frágeis pilares de sua verdade histórica, sobre seu mito e sobre os dogmas por ela criados?" 

          Como a Igreja responde a essa pergunta sobre o propósito de Jesus? Um exemplo de resposta afirmativa está na internet no portal Sacramusic.com: "Sim. A prova bíblica de sua intenção, a encontramos em Mateus 16,18". Essas palavras foram extraídas do livro Em que Cremos?, do padre Alberto Luiz Gambarini, de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Menos taxativamente responde o padre Eduardo Rodrigues Coelho, do Vicariato da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo, para quem a preocupação central de Jesus era o Reino de Deus, e a forma de alcançá-lo dependeu do momento histórico enfrentado pelos apóstolos. "Não foi possível a convivência, naquela época, com o judaísmo. Os seguidores de Jesus entenderam que foi preciso fundar uma nova comunidade", diz Coelho. 

    Validade histórica 

          Até o século 19 era praticamente nulo o conhecimento histórico sobre Jesus. As únicas fontes amplamente conhecidas sobre a vida e os ensinamentos da figura humana central do cristianismo foi o Novo Testamento, em especial os evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João. Em 1725, o italiano Giambattista Vico (1688–1744) havia publicado seus Princípios de uma Nova Ciência, a primeira crítica de cunho científico para o trabalho dos historiadores. Essa obra foi seguida pelos textos de Voltaire (1694-1778), Edward Gibbon (1737–1794), Friedrich Hegel (1770–1831) e de outros que criticaram a historiografia. 

          Na Antiguidade, os textos históricos consistiam em crônicas e narrativas. Na Idade Média, sob o poder da Igreja, eles continuaram com as características desses gêneros, mas passaram a mostrar a História como um mero desdobramento dos planos de Deus. Foi nesse contexto que, em meados do século 19, os estudiosos da religião começaram a admitir que os textos evangélicos, assim como todo o conteúdo da Bíblia, não podiam ser aceitos como trabalhos históricos. 

          "Os livros bíblicos foram escritos com o objetivo de levar as pessoas a se comprometer. Não  podemos exigir que nos forneçam o que escreviam os historiadores", afirma o padre Ivo Storniolo, tradutor de livros da Bíblia, autor de várias obras sobre o cristianismo e assessor da Editora Paulus, de São Paulo. 

    A Igreja sabe coisas que não diz aos fiéis 

          Autor de vários livros, entre eles Jesus – Esse grande desconhecido, lançado no Brasil este ano pela Editora Objetiva, o jornalista espanhol Juan Arias é um dos poucos profissionais de imprensa que conhece de perto e com profundidade a forma como o catolicismo enfrenta as questões sobre a fé. Nascido em Arboleas, na província de Andaluzia, no sul da Espanha, Arias estudou filosofia, teologia, psicologia, línguas semíticas e jornalismo, na Universidade de Roma, na Itália. Durante 14 anos, foi correspondente do jornal madrilenho El País nessa cidade e também no Vaticano. Morando no Rio desde 1998, ele decidiu ficar para sempre no Brasil. Nesta entrevista a Galileu, Arias fala sobre a relação da Igreja Católica com sua própria história. 

    Galileu: Entre vários temas polêmicos, você mostra em seu livro que, segundo vários estudiosos, muitos deles padres, Jesus jamais teria pretendido criar uma nova religião e era um judeu que seguia os ensinamentos de sua religião com rigor. Mas, para os fiéis em geral, Jesus foi um ferrenho opositor do judaísmo. Como é possível tamanho abismo entre esse conhecimento e a forma como a religião é pregada? 

    Juan Arias: Há um descompasso entre o que a Igreja conhece por meio das pesquisas e a versão que se cristalizou ao longo de quase 2 mil anos sobre o surgimento do cristianismo. A razão disso está no fato de que Jesus durante muitos séculos foi muito pouco conhecido historicamente, mas foi um personagem apaixonante, cuja imagem serviu como alicerce da Igreja. Esse assunto é muito provocativo e desperta reações de todo tipo. Eu mesmo tive a comprovação disso com uma reportagem sobre Jesus que publiquei no Natal de 1999 no El País. Recebi uma avalanche de cartas, tanto de cumprimentos como de protesto, muitas delas iradas, escritas por pessoas que demonstravam o desconhecimento do que era a Palestina no século 1º. 

    Galileu: Qual foi seu objetivo com esse livro? Quanto tempo levou para pesquisar os assuntos que ele aborda? 

    Arias: O livro é fruto de toda uma vida dedicada ao assunto. Foram muitos anos de pesquisa no Vaticano, na Universidade de Roma e em outras instituições. Meu objetivo foi simplesmente mostrar aquilo que era de conhecimento restrito e em uma linguagem jornalística. 

    Galileu: O que você acha do avanço do fundamentalismo? Ele se limita ao islamismo? 

    Arias: No fundo, todas as religiões monoteístas são fundamentalistas. Quando uma crença vê seu deus como único, as demais passam a ser falsas para ela. Hoje, as religiões não podem mais se impor pela força das armas, como faziam no passado. Por isso, aprenderam a conviver umas com as outras. Nas religiões monoteístas, a fé só consegue ser livre do fundamentalismo quando a religiosidade acompanha a espiritualidade, o desejo de se transformar interiormente e de viver em harmonia com o seu semelhante, seja qual for a origem dele. Essa certamente foi uma das características da pregação de Jesus. 

    Galileu: A mensagem de Jesus foi distorcida pela Igreja e pelos homens? 

    Arias: O nome de Jesus tem sido usado para tudo, desde ações humanitárias a injustiças inconfessáveis, inclusive a defesa de regimes desumanos e ditatoriais. Mas ele foi um incômodo profeta judeu, que lembrou os homens de que a fé poderia e deveria conviver com a compaixão, a criatividade, a aventura e com o amor à vida. Hoje, para muitos, ele é um Jesus dos mortos, dos amantes da dor e dos que nada querem arriscar. 
     
          Essas considerações se aplicam à passagem bíblica alusiva à escolha de Pedro por Jesus como a pedra sobre a qual se ergueria sua Igreja. Muitas passagens dos evangelhos são comuns às quatro versões. Três desses livros – os de Marcos, Mateus e Lucas – são chamados pelos especialistas de evangelhos sinóticos, pois é possível fazer uma sinopse única de grande parte de seu conteúdo. Nessa sinopse, porém, não entra a famosa citação de Mateus, pois ela consta somente do seu evangelho. Segundo vários estudiosos, o texto desse apóstolo foi escrito em Antioquia, na Síria, cidade onde o próprio Pedro realizou grande parte de seu apostolado. Mateus teria, portanto, como se diz, "puxado a sardinha" para o seu lado. E conseguiu o milagre de multiplicá-la.  
    Pietà de V. d'Avignon  
    Quadro de Enguerrand de Quarton  
    (século 15)
     
          Se Jesus realmente disse a Pedro o que Mateus escreveu, ele não o teria incumbido de construir um templo religioso, nem de fundar uma nova Igreja no sentido que essa palavra tem de religião. A frase teria sido dita em aramaico, língua falada na Palestina no dia-a-dia (o hebraico só era usado em atividades religiosas), mas as versões mais antigas do texto de Mateus estão em grego, o idioma oficial mesmo sob a dominação romana. "Igreja" é a tradução do grego "enklesía", que significava então comunidade. Uma nova comunidade não era necessariamente uma nova religião. 

          Esses esclarecimentos foram enriquecidos com a chamada pesquisa cristológica. Mas esses estudos foram se tornando um campo demasiadamente restrito, limitado a especialistas que precisam compreender línguas como grego, latim, hebraico e aramaico, além de conhecer profundamente os textos bíblicos em suas versões cristã e judaica e também a História Antiga e Medieval. Em seu livro Procurais o Jesus Histórico?, escrito em1994, Zuurmond afirma que muitos desses pesquisadores têm a tendência de "apresentar as coisas de forma tão complicada que fora de um círculo restrito ninguém entende nada". 

    Armadilhas históricas na leitura atual dos apóstolos 
     
     
    A Ceia de Emaús  
    Jesus, um homem comum, no quadro de  
    Caravaggio (1601)
         Aos 37 anos, Pedro Lima Vasconcellos, professor do Departamento de Teologia e Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, se dedica a um campo de pesquisas relativamente recente, mas que cresceu muito nas últimas décadas: o estudo científico da religião. Essa área trouxe importantes colaborações da sociologia, antropologia, psicologia, história e outras ciências. Nesta entrevista, o pesquisador explica como a falta de contextualização histórica tem prejudicado a compreensão dos evangelhos. 
    Galileu: Os evangelhos mostram Jesus em oposição aos judeus. O texto de João, particularmente, é o mais agressivo com a corrente dos fariseus. Tomando-os ao pé da letra, não se deveria concluir que Jesus de Nazaré pretendia inaugurar uma nova religião, distinta da deles? 

    Pedro Lima Vasconcellos: Há um fator histórico fundamental nessa questão: Jesus viveu algumas décadas antes da Guerra Judaica (66–70 d.C.), quando o general romano Vespasiano, depois imperador, sufocou a grande rebelião da Judéia, destruiu o Templo de Jerusalém e massacrou os judeus. Os evangelhos foram escritos depois desse conflito, quando diversas facções do judaísmo foram extintas por causa do elevado número de mortes. O judaísmo pós-70 d.C. foi reconstruído pela seita dos fariseus. Para eles, mesmo antes desse período, Jesus não era o messias previsto pelos profetas do Antigo Testamento. Por isso e por outras razões, como o fato de os cristãos não cumprirem o ritual da circuncisão nem as restrições de alimentos dos judeus, os fariseus e os novos seguidores de Jesus foram se tornando duas seitas que acreditavam no mesmo Deus, mas eram antagônicas. Esse antagonismo se refletiu nos evangelhos, um pouco menos em Marcos, que foi o primeiro deles e deve ter sido escrito na época da guerra. 

    Galileu: Mesmo com essa ponderação, permanece a imagem de Jesus em confronto com os fariseus em discussões sobre a religião. Isso não seria um forte indício de que ele teria divergências profundas com essa seita? 

    Vasconcellos: Os fariseus valorizavam o debate sobre os princípios da religião e só o praticavam com aqueles que respeitavam. Eles não teriam, portanto, debatido com Jesus, como mostram os evangelhos, se não tivessem respeito por ele e, acima de tudo, se, em vez de ser um seguidor do judaísmo, ele estivesse pregando uma outra religião. Note-se que havia várias correntes entre os fariseus. Ao serem registrados pelos evangelistas após 70 d.C., esses debates foram descontextualizados. Por isso, os evangelhos devem ser compreendidos à luz dessa mudança de contextos históricos. 

    Galileu: Se o essencial, portanto, não era fundar uma nova religião, qual teria sido o eixo da mensagem de Jesus? 

    Vasconcellos: Ele trouxe uma nova perspectiva para o que era chamado de Reino de Deus. Para a tradição, esse reino seria um futuro de justiça e de santidade. Para Jesus, ele estaria entre aqueles que vivem o aqui e agora. Como disse John Dominic Crossan, pesquisador irlandês radicado nos Estados Unidos, em seu livro O Jesus Histórico, "o importante não é possuir uma intuição especial para poder ver o Reino do futuro, e sim ter a habilidade de reconhecê-lo como uma realidade presente". 

    Imagens conflitantes 

          Três anos antes de Zuurmond, o irlandês John Dominic Crossan, professor de estudos bíblicos da Universidade De Paul, em Chicago, nos Estados Unidos, já reclamava do número cada vez maior de pesquisadores competentes gerando imagens conflitantes de Jesus. "A pesquisa do Jesus Histórico está virando uma piada sem graça", diz ele em seu livro O Jesus Histórico. 

          Uma das principais fontes de problemas dos estudos científicos da Bíblia está na excessiva especialização de alguns pesquisadores. O risco dessa tendência na pesquisa dos evangelhos, assim como em outras áreas, está na dificuldade de admitir como válidas cientificamente as conclusões obtidas fora dos princípios da área de especialidade. Seria o caso, por exemplo, de arqueólogos bíblicos que desconsiderariam evidências históricas ou lingüísticas sem suporte em registros arqueológicos. "Um número cada vez menor de estudiosos consegue enxergar além dos limites – por eles mesmos traçados – de sua especialidade", diz Zuurmond. 

          O teólogo holandês não poupa nem mesmo seus colegas de batina: "Mais de uma vez ouvi um colega dizer, a respeito de determinada interpretação de um texto bíblico: 'Sim, é verdade, mas no púlpito não podemos dizer essas coisas'. (…) Acredito que seríamos desonestos se por 'motivos pastorais' escondêssemos nossas convicções como cientistas". 

          A despeito do grande desenvolvimento dos estudos bíblicos e da pesquisa científica sobre a origem do cristianismo, ainda pairam muitas dúvidas e incertezas sobre o Jesus histórico e a sua mensagem. Sem desqualificar os poucos resultados consensuais já obtidos, parece que boa parte desse avanço está em mostrar o que esse pregador judeu na Palestina do século 1º não era, o que também é importante. No que se refere à questão sobre se ele teve ou não intenção de fundar uma nova Igreja, já existem conclusões relevantes sobre a "missão papal" que teria sido atribuída a Pedro, como já foi visto, e também sobre as discussões de Jesus com os fariseus. 

          Em seu livro A Religião de Jesus, o Judeu, de 1993, o húngaro Geza Vermes, professor de estudos judaicos da Universidade de Oxford, na Inglaterra, já assinalava que em nenhum trecho dos evangelhos Jesus contesta qualquer mandamento da Torá, a Bíblia judaica. "As declarações controvertidas giram em torno de leis conflitantes, quando uma cancela a outra", diz Vermes referindo-se a declarações atribuídas a Jesus nos evangelhos. 

          Muitos estudiosos atualmente não descartam a hipótese de Jesus ter sido um fariseu. Em uma outra obra, recentemente lançada no Brasil, Sábios Fariseus – Reparar uma injustiça, Evaristo de Miranda e José Schorr Malca ressaltam o espírito antifundamentalista dos fariseus, que valorizavam o confronto de idéias opostas e defendiam a interpretação e discussão dos textos bíblicos, mesmo que fossem conflitantes. "O fundamentalismo não admite discussão nem o enfrentamento de idéias. Eles (os fundamentalistas) crêem-se travando uma guerra contra forças destruidoras de seus valores mais sagrados e dogmáticos", diz o livro de Miranda e Malca, para quem Jesus usava as mesmas parábolas e metáforas dos fariseus. 

    O personagem histórico que continua enigmático 
     
          A tentativa de recompor o rosto de Jesus deu origem a uma iniciativa da rede britânica BBC neste ano. O resultado nada teve a ver com a imagem que grande parte do mundo cristão tem daquele que é considerado o fundador de sua religião. Já se esperava, nos últimos anos, que Jesus não fosse um homem alto, de longos cabelos louros, olhos azuis ou verdes, pele clara e nariz afinado, como mostraram, durante vários séculos, as pinturas européias, e nas últimas décadas, muitos filmes de Hollywood. 

          A imagem da BBC, obtida a partir de dados e medidas do crânio de um judeu do século 1º d.C. – escolhido como o mais representativo da população masculina adulta da Palestina naquela época –, era de um homem de corpo provavelmente atarracado, rosto arredondado, nariz grosso e, provavelmente, cabelos e olhos escuros. O trabalho de recomposição facial foi coordenado por Richard Neave, o mesmo especialista britânico que reconstituiu o rosto de Luzia, a mulher de características físicas africanas cujo crânio, de cerca de 11.500 anos – o mais antigo das Américas –, foi encontrado em 1975 no sítio de Lapa Vermelha, no município de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais.

     

    Jesus no computador  
    Rosto a partir do crânio de  
    judeu da Palestina do século 1º 
     

     
          Apesar do rigor da reconstituição dos britânicos, não se quer dizer que agora sabemos como era o rosto de Jesus. O crânio usado pode ser de um homem que não era nada parecido com ele. 

          Assim como a verdadeira imagem do homem de Nazaré permanece desconhecida, pouco sabemos da vida do Jesus histórico. A partir da contestação da validade dos evangelhos como obras históricas em meados do século 19, a própria possibilidade da existência de Jesus chegou a ser posta em xeque. Mas, aos poucos, historiadores, lingüistas, arqueólogos e teólogos juntaram evidências de que, em Belém ou em Nazaré, no ano 7 ou 6 a.C., nasceu Yeshua Ben Yossef (Jesus filho de José, em aramaico), que por volta do ano 30, sob as ordens do procurador romano Pôncio Pilatos, fora condenado à morte por crucifixão, pena aplicada somente aos que eram considerados contrários à ordem estabelecida por Roma. 

 
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